sábado, 16 de abril de 2011

Terceirização da balsa do Rio Araranguá provoca reação 12/04/2011


Terceirização da balsa do Rio Araranguá provoca reação 12/04/2011

Alegando oferecer um serviço que não agrada a população, gera inúmeras reclamações e questionamentos quanto à operacionalização, a prefeitura enviou à Câmara de Vereadores um projeto de lei que prevê a terceirização da balsa que faz a travessia do Rio Araranguá. Com intuito de ouvir os moradores, a Comissão de Constituição, Legislação, Justiça e Redação Final do legislativo, reuniu vereadores e lideranças para discutir a questão durante a tarde de ontem.

Segundo documento enviado pelo prefeito Mariano Mazzuco à Câmara, o município tem um custo anual de aproximadamente R$250 mil para manter a balsa, enquanto a arrecadação não ultrapassa R$50mil. Para se livrar do prejuízo e do serviço, a intenção é terceirizar a atividade. O projeto prevê a realização de um plebiscito no distrito de Hercílio Luz, nas localidades diretamente afetadas pelo serviço da embarcação. Os moradores presentes ao encontro de ontem, se posicionaram desfavoráveis à mudança.
Moradora do bairro Morro Agudo e uma das representantes da Associação de Moradores, Roselei Goulart Reis, aproveitou para reclamar do abandono. Segundo ela, o serviço não pode ser encarado como uma forma de dar lucro para o município e sim como um serviço essencial à população local. "Moramos do outro lado do rio e temos o direito de ir e vir. Isso não deve ser encarado como um prejuízo para a prefeitura e sim como um investimento".

A mesma opinião tem o vereador Volnei Roniel da Silva, o Rony. E vai além, defendendo que a travessia seja gratuita. Rony levantou ainda o questionamento com relação à construção de uma nova ponte que vai ligar Araranguá ao bairro Barranca e custará aos cofres públicos R$2 milhões. "A Barranca é considerada área de risco e mesmo assim vai ganhar ponte. Uma obra como esta deveria ser construída para atender estas comunidades que ficam prejudicadas quando a balsa não está em funcionamento."

Maioria se posicionou contra mudança
O projeto de apenas cinco artigos é considerado vago pelos vereadores por não conter, por exemplo, o valor que seria praticado e a forma de operacionalização em caso de terceirização. Hoje a travessia custa R$ 2,00. "Se existe um prejuízo grande ocasionado pela balsa, que empresa vai querer administrá-la?", questionou uma das moradoras. O vereador Jacinto Dassoler, que representa a comunidade na Casa, concorda. "A menos que aumente muito o preço pro usuário, creio que vai ser difícil encontrar alguma empresa disposta a assumir", ponderou.

O presidente da Associação de Moradores de Ilhas, João Tobias de Freitas, é favorável a entrega do serviço a iniciativa privada, apostando na melhoria do funcionamento. "Se uma empresa assumir vai investir, colocar gente capacitada e que atenda melhor a população", avalia Freitas. Os moradores de Morro Agudo, comunidade mais próxima à balsa, alegam muitas dificuldades. Segundo eles, para qualquer atividade como, por exemplo, ir à supermercado ou farmácia, a população local depende da travessia do rio. "Se a balsa não funcionar, nós não temos como viver e se o preço aumentar o problema será ainda maior."

A balsa possui 12 funcionários e funciona das 7 às 24 horas. Ao final da reunião, os vereadores e a comunidade chegaram a dois encaminhamentos. O primeiro será uma conversa com o executivo para que sejam realizadas melhorias na balsa, e com isso, a retirada do projeto da câmara. Caso não seja possível, os vereadores deverão realizar uma audiência pública na comunidade, para discutir a forma de terceirização. "O importante é que todas as opiniões foram ouvidas e nós conseguimos clarear um pouco as coisas", completou Eduardo Merêncio, o Chico, presidente da Comissão de Constituição, Legislação, Justiça e Redação Final. Além dos vereadores, participaram da reunião o superintendente da Fama, Paulo Simom; Cláudio Vieira, do Sindicato dos Servidores Públicos e a presidente eleita da Uama, Solene Feltrin.

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