segunda-feira, 20 de junho de 2011

PMDB de Santa Catarina em LUTO

“No final da década de 70, quando o prefeito Altair Guidi, da ARENA, fazia um governo realizador, de muitas grandes obras, considerado um dos melhores prefeitos do estado, o vereador Lírio Rosso decidia “reconstruir” o MDB. Reuniu um grupo de “gente nova”. Profissionais liberais, estudantes, professores e “estreantes” em política. Levou o partido para os bairros. Passou a formar subdiretórios. As primeiras reuniões eram com 10 pessoas. Mas ele não desistiu. O seu consultório de odontologia virou uma espécie de “central de articulação”. Apesar dos seus mais de 40 anos, tinha uma empolgação juvenil.
Depois de ter “encharcado” o município de subdiretórios, passou a encaminhar discussão para montagem de um “plano de governo participativo”. Altair Guidi não levava a sério. Tinha a eleição seguinte com fatura liquidada, e já se projetava para candidaturas estaduais. Falavam até em candidatura a vice-governador. No fundo, nem os grandes líderes do MDB acreditavam que aquele trabalho formiguinha de Lírio Rosso pudesse ameaçar o poder de fogo de Guidi e Cia.
Mas Lírio acreditava. Tinha convicção do que estava fazendo. E seguiu adiante. As discussões para a construção do “plano de governo” eram de forte conteúdo político, acima da disputa partidária. Era um trabalho pedagógico.
Lírio era o candidato natural a prefeito. Mas ele foi buscar o engenheiro José Augusto Hülse para também ser candidato a prefeito pelo MDB. Na época tinha a sub-legenda, que permitia ao partido lançar dois candidatos.
Zé tinha sido candidato a vice do partido na eleição anterior, contra Guidi. Mas estava sem filiação. Havia até trabalhado no governo de Altair Guidi. Era forte, de família tradicional na política, atraia o grupo da “antiga UDN”.
Lírio insistiu muito na filiação de “Zé”. Entregou para ele o plano de governo pronto, ajudou a conseguir recursos para sua campanha, deu liberdade para escolher o vice que quisesse.
Bateu a eleição, e Lírio fez votos suficientes para garantir a eleição de Zé, mas comemorou como se fosse a sua eleição. Porque mais importante para ele era a vitória do projeto, que começou com a montagem dos subdiretórios, e nas reuniões dentro do seu consultório.
A partir daí, o MDB de Criciúma ganhou musculatura, que repassou ao PMDB, e comandou mais três vezes a prefeitura, e elegeu três vezes o vice-governador. Se fez respeitado até hoje pela força que tem.
Lírio era um idealista. “Um político que tinha projeto político, mais do que um simples projeto de poder.”

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